Quero parar de fumar. E agora?

Mesmo com o avanço no conhecimento dos malefícios do fumo, ainda hoje, um terço da população adulta é fumante. O tabagismo é considerado uma pandemia – sendo a maior causa de morte evitável no mundo.

No Brasil, embora o número de adeptos do cigarro venha diminuindo nas últimas décadas, o controle do tabaco ainda é um grande desafio.

Isso porque a nicotina, substância psicoativa presente no cigarro, causa dependência. Ela é rapidamente absorvida pelos pulmões, atingindo o cérebro em 9 a 10 segundos, com uma meia-vida de cerca de duas horas, tendo como efeitos agudos:

  • Rápido e pequeno aumento do estado de alerta, com melhora da concentração, da atenção e da memória;
  • Diminuição do apetite;
  • Sensação de relaxamento e calma.

Mas, e se, de uma hora para a outra, uma pessoa decide parar de fumar? Ou seja, eliminar a nicotina do seu organismo?

Segundo o Psiquiatra Clínico, Helio Fádel, primeiro precisamos entender a abstinência como uma série de reações psicológicas e fisiológicas à interrupção abrupta de uma substância produtora de dependência, como por exemplo, a nicotina.           

Todas as substâncias causadoras de dependência (ex., maconha, cocaína, nicotina) podem levar ao aumento de dopamina no cérebro, aumentando a sensação de prazer e euforia.

Hélio também explica que a nicotina atua diretamente em uma parte do sistema límbico, responsável pelo circuito de recompensa em que a substância irá atuar.

O ato de fumar aumenta os níveis de dopamina cerebral de maneira mais explosiva e mais prazerosa do que as situações naturais. Por exemplo, nas sensações positivas em se obter uma conquista, em realizações intelectuais ou atléticas, ou ao saborear uma boa refeição.

Apesar das boas sensações, além da dependência, as alterações provocadas no circuito de recompensa cerebral estão associadas a um ciclo vicioso de busca da substância, fissura, adição e abstinência.

O prazer e a gratificação inicialmente experimentados quando o ato de fumar é realizado parecem diminuir com o decorrer do tempo. Isso  exige o aumento do número de cigarros para se obter os mesmos efeitos.

Quero parar de fumar. E agora?            

Para Helio, os indivíduos que decidem parar de fumar poderão vivenciar um período difícil, principalmente no início da transição. Haverá uma redução da estimulação e a queda da dopamina no circuito de recompensa cerebral provido diretamente pelo cigarro.

As dificuldades mais comuns experimentadas por essas pessoas são alterações do humor, do sono e, inclusive ganho de peso.

É fundamental que todos aqueles que interromperam ou estão interrompendo o uso do cigarro sejam devidamente acompanhados por profissionais da saúde, como psicólogo, psiquiatra, pneumologista, cardiologista, dentre outros. Assim, quaisquer mudanças físicas e psíquicas passíveis de ocorrer com o indivíduo poderão ser abordadas precocemente, resultando em melhor prognóstico.

Entender os comportamentos esperados de quem deixou de fumar há pouco tempo é essencial tanto para estes indivíduos quanto para as pessoas de seu convívio.

Assim, todos conseguem minimizar os efeitos negativos e lidar com essa fase da melhor maneira possível.

Entre as alterações físicas e comportamentais quando o uso do tabaco é interrompido, as mais recorrentes são a irritabilidade acentuada, a impaciência, o mal humor, o distanciamento social e as alterações do sono.

Para que o processo de mudança não seja interrompido, também é importante identificar crenças limitantes e atitudes sabotadoras que mantêm o hábito de fumar, para que sejam devidamente trabalhadas. Alguns exemplos são:

“Fumar me ajuda a controlar o peso e, se eu parar, vou ficar gorda!”

“Fumar é meu único prazer.”

“Fumar me ajuda a lidar com o estresse.”

“Sem cigarros eu vou passar muito mal.”

“Nunca tive nada até hoje, então estou bem.”

“Sem cigarros não vou conseguir produzir. Fico burro.”

“A vontade de fumar não vai embora nunca.”

“Não vou conseguir me divertir sem cigarros.”

“Não vou conseguir ir ao banheiro sem o cigarro.”     

O psiquiatra enfatiza que é é essencial abordar questões como essas, visando melhor esclarecimento e motivação para a pessoa.           

É sempre interessante focar nos reais e extensos benefícios da interrupção do cigarro, que serão experimentados pelos ex fumantes. Alguns deles: evita-se o possível desenvolvimento dos inúmeros cânceres acarretados pelo fumo; melhora o paladar, o olfato, a condição dentária e o hálito; diminui a ansiedade e melhora o humor a longo prazo; aumenta a libido; melhora a condição da pele; pode evitar a calvície precoce; dá mais disposição para a prática de atividades físicas; otimiza as funções cardiopulmonares e também o sono.

Atividade física como aliada

A prática de atividades físicas é uma forte aliada do combate ao tabagismo. Há quem pense ser necessário chegar ao fim do processo de parar de fumar para, somente então, iniciar uma atividade física. Mas essa é uma visão equivocada.

A prática esportiva é altamente recomendada tanto para ex fumantes recentes, quanto para aqueles que estão no processo de interrupção. Para os que acabaram de largar o cigarro, o esporte funciona como um ótimo apoio para lidar com a ansiedade natural das primeiras semanas sem cigarro, ajudando a tirar o foco do tabagista do cigarro.

É importante lembrar que a prática esportiva deve ser introduzida na rotina de maneira gradual, sempre sob supervisão e acompanhamento de profissionais da área da saúde e educadores físicos.

Artigo produzido com contribuição do Dr. Helio Fádel, Psiquiatra Clínico e do Esporte, da Pro Sport.

www.heliofadel.com.br 

@helio.fadel

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